terça-feira, 19 de agosto de 2014

A Rosa Branca na TV Câmara

Bela entrevista das professoras Juliana Perez (USP) e Tinka Reichmann (USP) sobre o projeto de tradução do livro "A Rosa Branca" de Inge Scholl (Editora 34) - TV Câmara - SP - 15/08/2014

“Mas podemos chamá-los de heróis? Eles não fizeram nada de sobre-humano. Defenderam algo simples, lutaram por algo simples: pelos direitos, pela liberdade e pelo desenvolvimento livre do indivíduo, por uma vida livre. Eles não se sacrificaram por nenhuma ideia extraordinária, não perseguiram grandes objetivos; o que queriam era que pessoas como eu e você pudessem viver em um mundo humano. E talvez esteja aí a sua grandeza, em terem lutado e arriscado suas vidas por algo tão simples, em terem tido forças para defender o direito mais básico com sacrifício último. Talvez seja mais difícil lutar por uma boa causa e entregar a ela sua vida de modo individual e solitário, sem respaldo de alguma organização, sem nenhum tipo de obrigação, sem grandes ideais, sem entusiasmo geral. Talvez o verdadeiro heroísmo consista justamente nisso: em defender, com persistência, o cotidiano, o pequeno, o imediato, depois de ter se falado tanto em grandes temas.” Inge Scholl 

(Trecho transcrito do vídeo)

Vale muito a pena assistir!



segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Ele salvou 669 crianças durante a 2ª Guerra

Sir Nicholas Winton foi o responsável por organizar uma operação de resgate que salvou 669 crianças de campos de concentração nazista. Elas foram levadas em segurança até a Inglaterra entre os anos de 1938 e 1939. Depois da 2ª Guerra Mundial o feito de Nicholas permaneceu desconhecido, foi só em 1988 que sua esposa Grete descobriu um velho livro de 1939 com os nomes e as fotos de todas essas crianças.

A reportagem abaixo conta a história de Sir Nicholas e mostra uma emocionante homenagem recebida em um programa de TV inglês. 



segunda-feira, 7 de julho de 2014

Dom Helder Câmara: o mestre da paz


Em uma semana difícil, em que a violência camuflada mostrou sua força com a queda do viaduto em Belo Horizonte, trazemos, hoje, o documentário de um grande homem do Brasil para servir de esperança. Dentro de um clima que parece querer nos convencer de que "o mundo não tem jeito mesmo", indicamos que conheçam a vida de Dom Helder Câmara, que, dizendo sim ao seu ideal, transformou a vida de muitas pessoas e foi aclamado pelo mundo.

Defensor de uma igreja simples, e altamente crítico com relação a posições conservadoras da mesma, foi consagrado padre aos 22 anos, com uma licença extraordinária, porque não possuía a idade mínima. Chegou a ser diretor do departamento de Educação de Ceará, bispo auxiliar no Rio de Janeiro e finalmente arcebispo de Olinda e Recife, onde entrou em choque com a Ditadura Militar. Criou a Cruzada São Sebastião, que visava oferecer moradia digna aos favelados cariocas, que serviu de estímulo para a construção de outros complexos habitacionais, e instituiu o Banco da Providência, em 1959, que tinha como objetivo ajudar os que viviam em condições precárias. Elaborou vários projetos e instituições, muitas delas não-governamentais, voltadas para combater a fome no Nordeste, e defendia os ideais cristãos de humildade e caridade.

Foi o único brasileiro indicado quatro vezes ao Nobel da Paz, mas o governo militar brasileiro fazia uma silenciosa campanha contra a sua premiação. Em fevereiro de 1974, entidades de vários países como Alemanha, Holanda, Suécia, Bélgica e Dinamarca  agraciaram Dom Helder com Prêmios Populares da Paz, como um tipo de resposta pela não-premiação pelo Nobel. Com o dinheiro, aproximadamente 300 mil dólares, foi comprado um engenho, de 810 hectares, para promover assentamentos rurais.

"Simplicidade, coragem, alegria. Visão não-preconceituosa do mundo. Dom Helder foi, provavelmente, a pessoa que mais sofreu com a censura no Brasil. Durante certo período, nenhum veículo de comunicação – jornais, rádios, televisões – poderia sequer aludir ao nome do corajoso religioso. Dele se dizia, com muita verdade, que foi o mais violento dos bispos, sem nunca ter sido violento. Sua violência, claro, era a coragem, numa época em que ter coragem podia significar a morte." Felipe Peixoto Braga Netto

Esperamos que Dom Helder Câmara possa servir de inspiração para a nossa coragem. Não sigamos distraídos.

Fonte: http://www.domtotal.com.br/colunas/detalhes.php?artId=1336 (aqui é possível acessar uma mini biografia de Dom Helder Câmara)



Parte 2
Parte 3

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Não-Violência ativa: Sebastião Salgado

No TED intitulado “The silent drama of photography” (O silencioso drama da fotografia), o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado conta sua trajetória e aborda uma questão que, hoje, vai muito além da sua fotografia: a preservação ambiental.
Um relato que nos mostra a capacidade da transformação da aridez em abundância de vida, a potência construtiva das ações não-violentas que geram beleza. Um vídeo que nos inspira a construir pela paz.

Assista aqui: 



domingo, 1 de junho de 2014

Da violência à Beleza

Palestra "Poética da comunidade: da violência à beleza, um itinerário de pesquisa e intervenção estética na periferia de Salvador" foi ministrada pelo Prof. Dr. José Eduardo Ferreira Santos, da Universidade Federal da Bahia (UFBA). O evento ocorreu na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), no dia 10/04/2014, organizado pelo Laboratório de Análise de Processos em Subjetividade (LAPS), sob coordenação do Prof. Dr. Miguel Mahfoud (UFMG).







sábado, 24 de maio de 2014

Trecho de Alfredinho

Segue abaixo um trecho do livro À sombra de Nabuco, de Alfredinho Kunz, que nos faz retomar a dignidade do ser humano ridicularizado.



            "Havia em Quebec, Canadá, um desenhista famoso que quase todos os dias fazia a caricatura do primeiro-ministro daquela época, Maurice Duplessis. Todas as vezes apareciam ao lado do ministro dois ou três urubus esperando, pelo menos, que ele desaparecesse do governo.
            No dia da morte do primeiro-ministro, o mesmo desenhista fez um retrato a lápis de seu inimigo político. Dessa vez a imagem revelava grande dignidade.
            Assim deveria ser sempre. A caricatura ridiculariza a pessoa e provoca a rejeição. Quando se apresenta um rico é sempre com os dentes fora da boca, bem barrigudo, as mãos segurando um saco de dólares e a cabeça coberta com um chapéu de três andares.
            No caso de policiais,  a imagem é sempre de homens dando cassetadas na cabeça de manifestantes. Será que é só isso que todos os policiais fazem? Por que não representá-los levando um ferido ao pronto-socorro?
            O padre só é reconhecido usando uma batina do século passado; quanto ao pobre, só pode ser reconhecido se tem roupas esfarrapadas que mal cobrem seu corpo esquelético.
            Em nossas lutas vamos resistir: resgatar a dignidade do ser humano ridicularizado.
            Dizia o escritor Michel Quoist: "O homem, por mais mesquinho que seja, merece respeito, exige respeito, pela dignidade do homem!".
            O pai do padre Oliva era alcoólatra. Trabalhando muito, a mãe criou os doze filhos. Quando um deles fazia crítica ela cortava a queixa dizendo: "É o seu pai!".
            Tratando Nabuco com dignidade vou obrigá-lo a me receber também como pessoa."

(KUNZ, Frédy. À sombra de Nabuco. São Paulo: Loyola, 1997, pp. 35-36.)


sábado, 17 de maio de 2014

Alfredinho Kunz


Iniciamos aqui a primeira postagem de várias que faremos sobre esse militante da Paz.


Ele viveu entre nós

"Salão do Sindicato dos Cozinheiros de Paris, início da década de 40. 0 presidente indaga quantos trabalhadores tem um mês de férias por ano. Uns tantos se levantam. Quem tem apenas uma semana de descanso. Uns poucos ficam de pé. Quem só obtém licença do patrão para descansar apenas no fim de semana. Outro punhado de pé. Quem nunca descansa? Um rapaz suíço, com pouco mais de um metro e meio de altura, levanta-se ao fundo. Era Alfredo Kunz, um militante cristão.

Meses depois, Alfredinho, como era conhecido, foi mobilizado pelo Exército francês para lutar contra o avanço das tropas de Hitler. Aprisionado, passou a guerra num campo de concentração na Áustria, ao lado de prisioneiros soviéticos. Aprendeu russo para pregar o Evangelho a seus companheiros de infortúnio. Em 1945, logrou fugir do campo, onde morreram cerca de 40 mil pessoas. Estranhou a indiferença dos soldados nazistas que cruzavam com ele, um notório evadido, com uniforme azul e cabeça raspada. Naquele dia, a guerra terminara.

Alfredinho tomou três decisões: tornar-se padre, trabalhar com os mais pobres entre os pobres e jamais vestir outra roupa que não reproduzisse o modelo do uniforme do campo, em memória de seus companheiros mortos.

Ingressou na congregação dos Filhos da Caridade e, a convite de dom Antônio Fragoso, em 1968 veio para a Diocese de Crateús (CE). Perguntou ao bispo qual era a paróquia mais miserável da diocese. Dom Fragoso apontou Tauá, região de seca e flagelo. Alfredinho instalou-se na capela local. Desprovida de casa paroquial, ele dormia no colchão estendido junto ao altar e cozinhava num fogareiro.

Certa noite, foi chamado para atender uma prostituta que, cancerosa, agonizava em seu barraco de taipa, na zona boêmia. Antonieta queria confessar-se. Padre Alfredinho disse a ela: "Somos nós que devemos pedir perdão a você. Perdão pelos pecados de uma sociedade que não Ihe ofereceu outra alternativa de vida. Como Jesus prometeu, Antonieta, você nos precederá no Reino de Deus. Interceda por nós."

Após receber a absolvição e a unção dos enfermos, a mulher faleceu. Não havia dinheiro para o caixão. As prostitutas enrolaram a companheira num lençol e arrancaram a porta de madeira do barraco para levar o corpo à vala comum do cemitério. Ao retornar para colocar a porta no lugar, Alfredinho teve uma inspiração. Durante anos, o vigário de Tauá habitou aquele casebre em plena zona boêmia da cidade.

Num tempo de seca, os flagelados invadiam as cidades do Ceará. Temerosos, muitos fechavam as portas. Alfredinho criou a campanha da Porta Aberta ao Faminto (PAF), cartaz que cerca de 2 mil famílias ostentaram em suas casas, acolhendo as vítimas do descaso do poder público.

Fomos amigos e bebi de sua espiritualidade. Barbado, vestido com a roupa azul que lembrava um macacão, sandálias nos pés e mochila nas costas, o aspecto de Alfredinho não diferia do de um mendigo. Convidado a pregar o retiro dos franciscanos, em Campina Grande, chegou de madrugada e dormiu na escada da igreja do convento. Ao acordar, catou as moedas que encontrou em volta e bateu a porta. "Quero falar com o superior", disse ao porteiro. "O superior não pode atender. Está em retiro." Alfredinho tentou esclarecer: "Sim, eu sei, pois vim pregar o retiro." O porteiro já ia expulsá-lo quando Alfredinho foi reconhecido por um frade que passava.

Testemunhei fato idêntico em Vitória, nos anos 70. A cozinheira interrompeu meu jantar com dom João Batista da Motta Albuquerque para comunicar: "Um mendigo insiste em falar com o senhor." O arcebispo reagiu: "Diga a ele que espere, minha filha. Vou atende-lo após o jantar." Era o padre Alfredinho, que viera pregar o retiro do clero local.

Em 1988, Alfredinho mudou-se para a Favela Lamartine, em Santo André (SP). Passou a viver entre o povo da rua e a dedicar-se a confraria que fundou, a Irmandade do Servo Sofredor (Isso), hoje congregando pessoas consagradas aos mais pobres em dez Estados do Brasil e vários países. Sua trajetória espiritual entre os excluídos está narrada em seus livros, muitos traduzidos no exterior: A sombra do Nabucodonosor, A Ovelha de Urias, A Burrinha de Balaão, A Espada de Gedeão e O Cobrador.

No domingo, 13 de agosto, Alfredinho transvivenciou, acolhido por Aquele que era o seu caso de Amor. Deixou como herança o testemunho de que uma Igreja afastada do pobre é uma Igreja de costas para Jesus."


(Texto de Frei Betto)

  Alguns fatos sore a vida de Frédy Kunz

9 Fev 1920 Nasceu em Berna (Suíça), filho de Frederic e Anna, trabalhadores de uma pedreira.

1926 Emigram para a França procurando melhor vida e trabalho.

1931 Aos 11 anos, começa a trabalhar num hotel como cozinheiro. Chegava a trabalhar 15 horas por dia.

1935 Ingressou na JOC (Juventude Operária Católica), e gostou muito da leitura da bíblia.

1939 Começou a pensar que algum gostaria de ser sacerdote, mas logo nesse ano teve inicio a II Guerra Mundial. Seu pai era contrário a sua vontade de ser padre, e então Frédy se alistou como voluntário no exército francês. Combateu contra os alemães. Foi preso e levado para o campo de concentração na Áustria, trabalhando como cozinheiro. No campo de concentração iniciou um círculo de leitura da bíblia, junto com outro prisioneiro protestante. Atendiam os doentes e os curavam.

1945 Entra no Seminário depois de terminada  a Guerra, em Fontgombault (França), acompanhado pelos Filhos da Caridade.

1954 Foi ordenado sacerdote em Paris, e depois foi trabalhar para o Canadá, num bairro de operários.

1968 Desejoso de trabalhar em países mais pobres, veio para o Brasil, na cidade de Crateús. Começou a viver com os pobres que eram vítimas do sistema de fazendas naquela região semi-árida. O sofrimento que ele mesmo viveu na sua vida, e que partilhou com tantos pobres, o levou a meditar cada vez mais no SERVO SOFREDOR, figura profética do livro de Isaías.

1968-1971 Viveu três anos no bairro da prostituição de Crateús, onde atendia todos os mais pobres, no barraco da falecida Antonieta.

1977 Cria um pequeno grupo que deseja fazer retiros espirituais com o Pe. Alfredinho, e crescer na espiritualidade do Servo Sofredor.

1979 Alfredinho, no tempo de ditadura e repressão dos pobres que chegavam à cidade procurando alimento, animou a campanha de acolhimento, com o lema “Fraternidade sim, violência não!

1988 Tem problemas contínuos de saúde, e foi viver para a favela Lamartine.

1995-1997 Animado pela campanha da Fraternidade que procurava acolher os excluídos, pediu a bênção ao  bispo de Santo André, e foi viver com os moradores de rua em SP. Ao longo destes anos um grupo de gente se vai associando ao Pe. Alfredinho, formando assim a Irmandade do Servo Sofredor.

Ago 2001 Devido a insuficiência cardíaca, morreu no dia 12 de Agosto.


(Texto nosso baseado no link: http://juventudespedrospaulo.blogspot.com.br/2011/05/padre-alfred-kunz-conhecido-como-pe.html)